Os desafios da logística reversa na Limpeza Profissional

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Em 2020, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) completou uma década de vigência. De acordo com a PNRS, a logística reversa foi estabelecida como um dos principais instrumentos para implementar a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, restituindo-os ao setor empresarial para reaproveitamento ou para o descarte correto.

Apesar da PNRS, a geração de resíduos no Brasil não para de crescer. Hoje, são 79,6 milhões de toneladas por ano (19% a mais que uma década atrás). Desse total, 13 milhões de toneladas anuais são só plásticos. E, apesar das várias ações e iniciativas para alavancar e viabilizar o reaproveitamento dos materiais descartados, os índices de reciclagem continuam estagnados. É o que aponta o estudo “Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil”, edição 2020, realizado pela Abrelpe (Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais).

Na Limpeza Profissional, um dos principais componentes da geração de resíduos sólidos são as embalagens. Por isso, o setor incentiva toda a sua cadeia a compreender seus impactos e criar soluções que permitam cumprir a PNRS no que se refere à logística reversa.

Foco nas Operadoras

Uma das soluções passa pelas empresas voltadas à gestão ambiental. “Atuamos na gestão da cadeia reversa de produtos pré e pós-consumo, com projetos dedicados às indústrias e entidades gestoras para o atendimento de todos os compromissos e acordos previstos na PNRS, beneficiando os subprodutos e reinserindo-os como matéria-prima na cadeia produtiva”, explicam Priscila Munhos, gerente Comercial de Manufatura Reversa & Economia Circular e Rene Costa, gerente Operacional da Ambipar. “Monitoramos todas as etapas do processo, desde a coleta, manufatura reversa e destinação final dos resíduos por meio de fornecedores homologados, garantindo que os materiais retornem à cadeia produtiva quase em sua totalidade”.

Todo o processo de descaracterização dos produtos pode ser acompanhado ao vivo por câmeras, bem como por documentos de porte obrigatório ou pela emissão de certificados pós destinação final dos resíduos, garantindo a rastreabilidade e a confiabilidade da informação. “Hoje, contamos com coletas e PEVs (Postos de Entrega Voluntária) de embalagens no estado do Rio de Janeiro e na cidade de São Paulo, o que proporciona a reinserção de cerca de 60 toneladas/mês de embalagens na cadeia produtiva”, explicam Rene e Priscila.

Já a Contemar é uma empresa que trabalha em parceria com as operadoras de logística reversa e oferece contentores para serem utilizados como PEVs (Pontos de Entrega Voluntária), juntamente com um sistema de mensuração e rastreabilidade desses equipamentos, possibilitando a coleta mecanizada pelas operadoras logísticas. “Entendemos que toda a cadeia de produtos que são comercializados em embalagens tem por obrigação retirá-las do mercado, independentemente de ações do poder público. Esse gerenciamento, pilotado pela cadeia produtiva, minimiza riscos ao meio ambiente assim como estimula o mercado da gestão de resíduos. Cada vez mais, os estados brasileiros fecham o cerco, vinculando o licenciamento ambiental ao Plano de Logística Reversa e seus resultados anuais. Além disso, é grande a procura por créditos de reciclagem hoje em dia, e isso tende a aumentar assim que os estados ampliarem a cobrança sobre o setor privado e sua gestão independente”, destaca Camila Bortoletto, gerente de Desenvolvimento de Negócios da empresa.

Desafios da logística

Mas é fato que colocar a logística reversa em prática nem sempre é fácil. Além de o Brasil ser um país de dimensões continentais, no caso específico da Limpeza Profissional, o nível de dificuldade aumenta devido ao formato descentralizado das operações. Basta pensar em como seria para um fabricante de químicos – que vende seus produtos de forma ampla e pulverizada – realizar a logística reversa de todas as suas embalagens. Ainda assim, mesmo diante da complexidade, as empresas do setor buscam estar cada dia mais engajadas para diminuir essas barreiras, seja por meio de seus distribuidores, de parceiros, ou mesmo buscando soluções junto ao poder público.

“Realmente, a questão logística é um desafio na composição dos números e da viabilidade. Mas ações regionalizadas, sem dúvida, podem potencializar a logística reversa em localidades mais afastadas”, aponta Camila, da Contemar. Rene e Priscila, da Ambipar, corroboram a opinião: “A solução pode passar também pela mudança de visão dos gestores municipais, e pela inserção de uma cultura sustentável em que os resíduos sejam vistos como uma oportunidade de negócio. Essa mudança pode ser implantada por meio da associação entre municípios menores, seja para a instalação de centros de triagem ou para soluções de reciclagem, fomentados pelo poder público”.

Compensação ambiental

A Limpeza Profissional ainda não possui dados consolidados sobre a logística reversa no segmento. Mas, recentemente, a Abralimp iniciou uma parceria junto à Facop e ao Instituto Ethos para transformar essas boas-práticas em números.

Enquanto isso, as empresas do setor vão multiplicando soluções para cumprir a PNRS no que se refere à logística reversa. Uma delas é a compensação ambiental.

“No caso de nossas empresas, a questão foi resolvida por meio da homologação das mesmas junto à EuReciclo, fazendo a aquisição de Certificados de Reciclagem equivalentes a uma porcentagem da massa de embalagens colocadas no mercado”, explica Heitor Mazziero, diretor da Bralimpia e da Renko Química. “Fizemos isso porque pensar em logística reversa em um país continental como o nosso, e com tão pouca estrutura para tal, seria um processo demasiadamente difícil de implantar – já que teríamos de fazer voltar todas as embalagens, frascos e outros acondicionadores de produtos, além de peças já obsoletas para reciclagem. E estas ações não dependeriam apenas de nós, mas de toda uma corrente de distribuidores e usuários. Além disso, os custos se sobreporiam aos dos produtos, tornando a comercialização inviável”.

A fim de oferecer soluções a seus associados para o cumprimento da PNRS, a própria Abralimp aderiu, em 2019, ao programa nacional da EuReciclo. Até o momento, já foram recicladas mais de 7,35 toneladas de metal, 280 toneladas de papel e 617,2 toneladas de plástico.

“Gosto de pensar na logística reversa como um campo que as empresas do setor estão começando a explorar, mas que, certamente, em pouco tempo será uma prática comum a todos”, completa o diretor de Sustentabilidade da Abralimp, Guilherme Salla. “Comparando com os últimos dois anos, vemos muito mais engajamento e iniciativa das empresas do que havia no passado. Desde o fabricante de produtos químicos, passando por máquinas, descartáveis, distribuidores ou prestadores de serviços, conseguimos perceber um interesse muito maior sobre o assunto e sobre como ele pode ser aplicado no dia a dia de cada operação”.

Fonte: ABRALIMP.

Foto/Divulgação: ABRALIMP.



Fonte: Revista Higiplus

Tags: produtos embalagens resíduos logística reversa

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