Mulheres no Agro: Maria Vitória

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Técnica em agropecuária formada pelo Instituto Federal Catarinense e, atualmente, graduanda no curso de Zootecnia na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC Oeste), Maria Vitória Proença é um exemplo de empreendedorismo na pecuária brasileira, tanto da porteira para dentro, quanto da porteira para fora.

Pioneira na criação da raça Senepol no Estado de Santa Catarina, Maria, aos 24 anos de idade, é titular da marca Senepol Vitória e divide seus dias entre os estudos, em caráter EAD (Ensino à Distância), por conta da pandemia, e as atividades na fazenda, tanto na parte administrativa quanto na lida com o animais, entre outras atribuições. Conheça um pouco mais sobre essa jovem empreendedora da pecuária.

Como é a sua rotina de trabalho, dentro e fora da porteira?

Atualmente, na fazenda, trabalhamos eu, minha mãe, um veterinário, além de dois funcionários que nos auxiliam. Antes da pandemia, eu frequentava diversos eventos da pecuária (feira, exposição, leilões) e conciliava com a minha faculdade, além de fazer os manejos com os bovinos na fazenda, atividade que me organizava para fazer aos finais de semana.

Agora, com o advento da pandemia, estou morando na fazenda e concilio minhas atividades acadêmicas com os manejos do gado.

Quais, em sua opinião, são os principais diferenciais da raça e como ela pode contribuir para o desenvolvimento do setor agropecuário brasileiro?

Acredito que podemos dizer que Senepol já é uma ferramenta que eleva a pecuária brasileira. Eu considero que a raça tem várias características importantes: adaptação em diferentes climas (aqui criamos no frio), precocidade sexual (machos querem cobrir aos 12 meses e as fêmeas já dão cio aos 12 meses), bezerros nascem leves, ganham peso e se desenvolvem muito rápido, o que auxilia a encurtar a cadeia.

Além disso, são animais muito dóceis e mochos, o que torna o manejo mais prático e mais seguro. Outra característica que podemos destacar é que Senepol também possuí o gene Slick, que mostra que o animal se desenvolve muito bem em altas temperaturas sem ter perdas produtivas.

Como você avalia o momento atual da pecuária nacional?  Como, em sua visão, a pandemia impactou nesse setor? E o que você acha que pode ser feito para que a atividade continue a crescer de forma sustentável e produtiva?

Eu vejo o momento autal de forma muito positivo, com a valorização da arroba, além de que, cada vez mais, as exportações para mercados exigentes vêm crescendo, o que é muito bom, pois mostra a qualidade da nossa pecuária brasileira.

Para uma pecuária mais sustentável, nós podemos trabalhar com sistemas sustentáveis: produzindo gado a pasto, utilizando integração pecuária – floresta, integração lavoura-pecuária e também não esquecendo de manejar visando técnicas para melhorar o bem estar animal do rebanho.

A cada dia, podemos notar que a participação das mulheres no campo está mais ativa, presente e promovendo muitas melhorias no segmento. A que você credita esse novo momento? Quais, em sua opinião, são as principais contribuições das mulheres, tanto da porteira para dentro quanto da porteira para fora?

Não é de hoje que vejo muitas mulheres se destacando no setor e os fatores são diversos. Podemos destacar duas características de nós, mulheres, que acredito que ilustram bem este cenário: competência e coragem para desempenhar, com eficiência, as funções que escolhemos.

Eu conheço mulheres que atuam em todos os segmentos do agro – antes, dentro e pós porteira -, e todas são muito corajosas, resilientes e competentes na atividade que desempenham. Cada uma delas, em segmentos distintos dentro da cadeia produtiva, deixam sua marca e sua contribuição para a atividade.

A sucessão familiar tem sido um tema bastante abordado ultimamente. Como você enxerga esse processo de “passagem” de bastão de pai para filho(a) e, em sua opinião, quais os principais caminhos para que essa sucessão aconteça de forma natural, tanto para a família quanto para a continuidade dos negócios?

Em muitos casos, como foi no meu, por exemplo, a sucessão acontece através da perda de um ente querido. Perdi meu pai aos 13 anos de idade. Ele sempre me incentivou na atividade mas, quando ele faleceu, eu era muito jovem e não conhecia nem a metade de como funcionava a atividade. Labutei bastante para alcançar meus objetivos e ainda pretendo evoluir muito mais, não só como pecuarista, mas também como administradora dentro da atividade que escolhi.

Ainda sobre o assunto, eu acho que a sucessão deve ser mais abordada entre as famílias e também entre os meios de comunicação, mostrando as histórias de pessoas que venceram na vida, para que seja quebrado o tabu. É um assunto muito importante e precisa estar mais presente, não só nas relações empresariais, mas também nas rodas de conversa das famílias.

Fique à vontade para acrescentar algo que achar necessário, um conselho, dicas para quem pretende viver da pecuária, entre outras coisas

Amar o que faz, sempre buscar capacitação e bons relacionamentos para troca de experiências.

Fonte: Animal Business Brasil

Tags: mulheres atividade podemos pecuária porteira

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