Mobilidade elétrica avança na América Latina e Caribe durante pandemia

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recarga de carro elétrico

Mantidas as tendências atuais, a partir de 2025 mais de 5.000 ônibus elétricos serão implantados a cada ano nas cidades da América Latina e Caribe.

Modelos de negócios inovadores são necessários para superar as barreiras que impedem o ganho de escala do transporte elétrico, assim como mais medidas de apoio fiscal.

 
As mudanças causadas pela pandemia da COVID-19 no uso dos transportes e os planos nacionais de recuperação apresentam uma oportunidade para governos e empresas da América Latina e Caribe acelerarem a transição para a mobilidade elétrica, afirma o relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançado ontem.

O relatório “Mobilidade Elétrica: Avanços na América Latina e no Caribe – 4ª edição” é a revisão anual do PNUMA sobre a situação desse setor que, segundo os autores, está ganhando força à medida que os usuários escolhem sistemas de transporte mais limpos e os governos estão aumentando a ambição de seus compromissos climáticos e delineamento de suas políticas para cumprir os objetivos do Acordo de Paris.

“2020 foi um ano perturbador para o transporte na região. Se os países e as empresas souberem aproveitar o contexto, as transformações que vemos hoje podem abrir caminho para uma mobilidade totalmente sustentável com uma matriz energética limpa”, disse Gustavo Máñez, coordenador regional do PNUMA para Mudanças Climáticas na América Latina e Caribe.

O setor de transportes é responsável por 15% das emissões de gases de efeito estufa na região e é um dos principais responsáveis ​​pela poluição do ar.

De acordo com o relatório, 27 dos 33 países da região priorizaram o transporte como elemento central para atingir suas metas de redução de emissões no âmbito do Acordo de Paris da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. Porém, até o momento, os países da América Latina e Caribe não têm metas de curto e médio prazo para encerrar a venda de veículos a combustão.

Em 2020, os esforços nacionais para formular estratégias de mobilidade elétrica cresceram. Argentina, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua e Paraguai estão em processo de elaboração de seus planos. Chile, Colômbia, Costa Rica, Panamá e República Dominicana já publicaram políticas nacionais em anos anteriores.

O transporte público urbano continua sendo uma prioridade nos planos de mobilidade da região, que possui a maior utilização per capita de ônibus e é uma das mais urbanizadas do mundo – 80% de seus habitantes moram em cidades. No entanto, as restrições de mobilidade impostas pela pandemia da COVID-19 transformaram o uso de alguns sistemas de transporte público devido à redução do número de passageiros, ao mesmo tempo em que aumentou a mobilidade ativa e a micromobilidade elétrica.

À medida que essas restrições começam a diminuir e têm início um retorno moderado à normalidade, é crucial que o transporte público não perca espaço para os veículos particulares, aponta o relatório.

As cidades que mais se destacaram na América Latina pelo maior avanço na eletrificação de ônibus de transporte público em 2020 foram Bogotá (Colômbia), com a aquisição de 406 unidades, e Cidade do México (México), que acrescentou 193 trólebus. No Caribe, Barbados, com uma população de cerca de 300.000 habitantes, colocou 33 ônibus em circulação na capital Bridgetown.

De acordo com o relatório, se as tendências atuais continuarem, a partir de 2025 mais de 5.000 ônibus elétricos serão implantados anualmente nas cidades latino-americanas.

O mercado de veículos elétricos privados também cresceu em 2020. Na Costa Rica, o registro de carros elétricos cresceu 77% em 2020 e o registro de motocicletas e similares aumentou 36%. No Peru, a importação de motocicletas elétricas aumentou 220% em relação ao ano anterior, segundo o relatório. Ainda assim, falta heterogeneidade na gama e categoria de veículos elétricos disponíveis na região.

O relatório destaca ainda que os países da região inovaram no desenvolvimento de modelos de negócios que lhes permitem superar os elevados custos iniciais de eletrificação e reduzir os riscos financeiros associados. No entanto, estes não são facilmente replicáveis ​​e é necessário integrar soluções que reduzam o risco financeiro para permitir a massificação das frotas elétricas.

Os autores consideram que, dada a situação fiscal restritiva dos países da região, é fundamental que os gastos e investimentos em transportes sejam orientados para soluções mais limpas de longo prazo, como parte dos planos de recuperação econômica pós-COVID-19, bem como repensar os subsídios aos combustíveis fósseis.

O relatório deste ano oferece uma análise qualitativa baseada em estudos de caso sobre tendências em mobilidade elétrica durante 2020. O relatório foi elaborado com informações coletadas pela equipe da plataforma MOVE em 14 países da região.

Nova iniciativa busca compromissos ambiciosos

Durante o evento de lançamento, a plataforma MOVE, do PNUMA, que visa acelerar a transição para a mobilidade elétrica, apresentou a iniciativa regional MoveToZero, que reunirá compromissos dos setores público e privado em favor do transporte com emissão zero.

O MoveToZero objetiva promover a aquisição de frotas de veículos elétricos antes de 2025 e se constitui como o capítulo regional da campanha global RouteZero do Grupo do Clima para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-26), que acontecerá em Glasgow , Reino Unido, de 31 de outubro a 12 de novembro de 2021.

Baixe o relatório (em espanhol)

Do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/07/2021

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Fonte: EcoDebate

Tags: transporte região relatório ecodebate mobilidade

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