‘Corte no Orçamento vai frear investimento e prejudicar custeio’

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O presidente Jair Bolsonaro tem até 22 de abril para sancionar a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2021. O texto aprovado pelo Congresso prevê 26,7% menos recursos para subvenção do crédito agrícola, seguro rural e apoio à comercialização.

Segundo o consultor em finanças do agronegócio Ademiro Vian, diversos investimentos que estão sendo feitos no agro terão que ser paralisados ou terão que procurar outras fontes de financiamento no mercado, que tendem a ser mais caras do que as contratadas inicialmente. Já os novos projetos devem ser repensados.

Além disso, Vian afirma que o mercado financeiro, principalmente os bancos, não costumam financiar empreendimentos mais longos. “Pelo menos não com taxas condizentes com o retorno do investimento”, diz.

O especialista destaca, também, que o produtor terá problemas pela frente, já que o crédito de custeio também vai ficar mais caro. “Alguns vão ter que buscar dinheiro a taxas livres”, comenta.

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De acordo com Vian, o produtor rural não vai abandonar a atividade, porque depende dela, mas terá um “custo muito maior” que provavelmente será repassado aos valores dos produtos agropecuários.

Outro problema que pode decorrer deste cenário é uma bolha de endividamento. Caso o agricultor enfrente problemas na produção ou nos preços, ele pode não ter dinheiro para pagar os empréstimos feitos com recursos livres, o que seria uma situação ainda mais grave.

A recomendação do consultor é que o produtor aproveite os recursos para custeio que ainda estão disponíveis para pequenos e médios produtores no Plano Safra 2020/21. “O produtor que tiver condição de antecipar a compra é bom fazê-lo, porque lá na frente os juros terão uma alteração significativa”, pontua.

tem que contratar financiamento antecipado, porque juros serão mantidos e pequeno e médio bancos possuem recursos significativos ainda. produtor wu tiver condições de antecipar a compra é bom fazê-lo. porque lá na frente os juros terão uma alteração significativa.

Fiagro vai salvar a lavoura?

Em entrevista ao Canal Rural, o senador Luiz Carlos Heinze afirma que o Fundo de Investimento para o Setor Agropecuário (Fiagro) pode ser uma solução. Ademiro Vian não concorda. Para ele, a criação de fundos de investimento é muito cara e depende da boa vontade de banqueiros.

“Vender fundos de investimento como solução é modismo, na minha opinião. Já abandonaram a LCA, que foi criada com esse propósito e que tem isenção no imposto de renda. Qual foi o desenvolvimento da LCA? Pífio, os bancos não aderiram. Depois veio a história da CPR, que não funcionou adequadamente. O Fiagro será outro item, e vão continuar pulando de galho em galho”, diz.

Vian também argumenta que fundos não tem o mesmo alcance do banco por falta de praticidade. “O produtor precisa resolver o problema na agência. Pegar R$ 100 mil para custeio do adubo, da terra e dos funcionários. O fundo não tem essa capilaridade”, diz.

Fonte: Canal Rural - Agricultura

Tags: recursos produtor investimento custeio vian

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