Codificação de equipamentos por cores

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Estratégia para evitar a contaminação cruzada

É consenso que a utilização de metodologia nos processos de limpeza proporciona eficiência e melhores resultados. No entanto, a pandemia vem chamando a atenção para a correta desinfecção de superfícies para evitar o contágio e propagação do agente causador da Covid-19.

E justamente isso também acena para outra importante estratégia – que já estava no radar do setor – mas que precisa ser ainda mais assertiva dentro do atual contexto. Trata-se do rigor sobre os protocolos para evitar a contaminação cruzada entre ambientes.

Antes de tudo é preciso entender um pouco mais sobre contaminação cruzada. Segundo a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) trata-se da transferência de agentes contaminantes – inclusive pelas mãos – de um determinado local ou superfície para outros através de utensílios, equipamentos.

De acordo com os manuais e cursos ministrados pela UniAbralimp as equipes de limpeza devem atentar para pontos que podem causar contaminação e reforçar os procedimentos de limpeza e desinfecção.

Medidas preventivas

José Antonio, diretor da Câmara de Equipamentos da Abralimp.

Medidas simples como troca de utensílios como mop e panos de limpeza para cada ambiente higienizado ou mesmo a higienização deles antes de usar em outro local já são medidas eficazes para prevenir a contaminação cruzada.

Áreas mais críticas, como banheiros, por exemplo, devem contar com a utilização de dois conjuntos de luvas, panos e fibras – que devem ser usados apenas neste ambiente. A recomendação para evitar confusão é adotar cores diferentes para os conjuntos.

Os equipamentos de uma cor pré-determinada ficam restritos para recolhimento de lixo e telas dos mictórios e limpeza de vasos sanitários/mictórios. Já itens de outra cor ficam destinados às demais áreas do ambiente. Desta forma, facilita-se a identificação e, mais importante, também se evita a contaminação.

Para José Antônio, diretor da Câmara de Equipamentos da Abralimp e supervisor de vendas da Certec, a correta utilização dos EPI´s (equipamento de proteção individual) é primordial. “Posso afirmar que é importantíssima e até indispensável em um processo de limpeza – doméstica ou profissional”.

Para ele a identificação dos equipamentos e acessórios também educa para as tratativas diferentes de cada local e já sugere uma logística personalizada para cada tarefa ou ambiente. “Desta forma evitamos a contaminação cruzada e trazemos segurança para o ambiente e usuários em geral”, diz.

 Codificação por cores

Osmar Teverão, gerente comercial na TTS.

O emprego de cores tem beneficiado os programas de limpeza de todos os setores da cadeia produtiva, já que a medida também facilita a rotina das tarefas, ajuda na identificação entre áreas, simplifica o treinamento de funcionários, além de controlar infecções e prevenir contaminação cruzada.

No entanto, não há um padrão vigente para o uso profissional. O que ocorre com freqüência são tendências empregadas pelas empresas. Uma delas aponta para o uso das cores vermelho, amarelo, azul e verde.

A amarela, por exemplo, é aplicada para limpar objetos, superfícies e área de menor risco, assim como a azul, que pode ser aplicada em áreas comuns e para limpeza geral, compreendendo superfícies como vidros e espelhos.

Já a verde pode ser aplicada em áreas de preparo e manuseio de alimentos. A vermelha pode ser utilizada em área de maior risco de contaminação cruzada e propagação de infecção.

Osmar Teverão, gerente comercial da TTS (empresa associada Abralimp) concorda que as quatro cores são as mais comuns adotadas pelo setor de limpeza profissional. “A separação dos equipamentos por cores gera um controle maior da operação para cada equipamento e utilização no ambiente correto. Desta forma é possível reduzir risco de contaminação, além de gerar maior produtividade na operação”, assegura.

Falta padronização

Heitor Mazziero, da Bralimpia.

Mas é bom lembrar que não há padronização de cores. Heitor Mazziero, da Bralimpia (empresa associada Abralimp), lembra ainda que não há normatização para emprego do sistema. “Cada empresa pode montar seu próprio plano de acordo com a sua realidade financeira, de mão de obra e de ambientes a serem limpos e higienizados”, explica.

No entanto, ele ressalta a importância da utilização de codificação através das cores em equipamentos, acessórios e demais itens utilizados em tarefas de limpeza como importante ferramenta para a prevenção das contaminações entre ambientes.

Teverão também acrescenta: “Como não existe uma regra ou legislação para esta padronização ela pode ser separada por áreas, por tipo de produto químico ou nível de risco de contaminação”.

Para Mazziero, o simples raciocínio de que itens utilizados na limpeza de banheiros, por exemplo, não devem ser utilizados em cozinhas, já é por si só motivo suficiente para a adoção dos esquemas de cores.

POP

Por isso, segundo ele, é importante que o plano desenvolvido e adotado pela organização seja transformado em Plano de Procedimentos Operacionais (POP) que sirva para a conscientização e treinamento dos profissionais envolvidos nas tarefas da limpeza.

“A implementação dos POPs deve ser monitorada periodicamente de forma a garantir a finalidade pretendida com a adoção de medidas corretivas em casos de desvios destes procedimentos”, orienta.

Na indústria de alimentos, por exemplo, a utilização do sistema de cores pode fazer parte das análises e adoção de procedimentos HACCP (do inglês Hazard Analysis and Critical Control Point) traduzida para o português como APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle) com normas reconhecidas como ISO 22000, BRC, IFS e SQF 2000, que apoiam a metodologia para gestão segura de alimentos.

Teverão também defende que as padronizações devem constar no POP da operação e devem estar associadas a outros itens, como luvas, por exemplo. “Já existe a cultura de realizar treinamentos sobre a utilização correta e padronização de cores, além de check lists para consulta pelos usuários”.

Antônio relembra, inclusive, que a sugestão de montar uma planilha orientadora e afixá-la para conhecimento de todos os freqüentadores dos setores e não apenas os usuários dos equipamentos é salutar diante da pandemia.

“O novo normal e os novos hábitos que estão sendo implantados em nossa rotina diária serão eternos. A periodicidade da limpeza, bem como a utilização de mais equipamentos ou novas soluções foram se tornando indispensáveis. E a codificação de setores ganhou ainda mais relevância”, pontua.

Higienização de acessórios

Para o diretor é sabido que cada profissional que realiza os procedimentos de limpeza recebe uma orientação mínima para a execução das tarefas. “Mas é neste momento que as informações relevantes precisam ser passadas. Essa prática já é realizada pelas grandes empresas da área de limpeza, de alimentação e ambientes hospitalares, entre outras.”

O executivo segue orientando: “por isso temos a UniAbralimp que realiza toda a capacitação necessária para que cada um faça sua parte do jeito correto e seguro a fim de que os clientes tenham o melhor resultado na utilização dos equipamentos”.

Mazziero aproveita para tocar em outro importante ponto: a higienização de equipamentos e acessórios após a utilização. “Já que falamos de higienização, salientamos que todos os itens utilizados nas tarefas também devem ser higienizados para eliminar microrganismos que possam contaminar os ambientes e as pessoas”.

O entrevistado lista itens como luvas, mops e panos de limpeza, entre outros. “Até o reprocessamento dos acessórios deve ser feito de forma separada. A higienização dos insumos utilizados em um quarto de hospital, por exemplo, no pode ser feita com itens utilizados na cozinha”, destaca.

Teverão também chama a atenção para o que não pode ser feito de jeito nenhum: desrespeitar as cores padronizadas, principalmente se for de uma área mais suja para outra com menos sujidade.

O diretor Antônio salienta que relativizar, relaxar ou queimar etapas dentro do processo de codificação também são prejudiciais. “Na tentativa de ganhar tempo pode-se até perder uma vida”, diz, para finalizar: “a conscientização através de treinamentos, palestras e cartazes são formas de manter as informações em circulação”.

Fonte: ABRALIMP.

Foto/Divulgação: ABRALIMP.



Fonte: Revista Higiplus

Tags: limpeza equipamentos utilização cores contaminação

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